A Arte da Idade da Pedra

A arte da Idade da Pedra refere-se a quaisquer obras de arte criadas durante a extensa era da pré-história em que as ferramentas utilizadas pelos homens eram feitas de pedra. A Idade da Pedra termina à medida que as ferramentas de pedra foram substituídas pelos novos produtos da metalurgia do bronze e do ferro.

Os primeiros artefatos humanos que podem ser considerados como arte são criações a que não se atribui função utilitária, mas que deviam possuir um sentido simbólico, visando comunicar algo. Em seus primórdios, a arte não existia como atividade estética, separada de outros aspectos da vida. Tal forma de arte só passa a existir no período Neolítico, com o aparecimento das classes sociais e das funções especializadas, quando surge o ofício de artesão.

CONTEXTO

A Idade da Pedra divide-se em três grandes períodos, caracterizados pela cultura desenvolvida em cada um deles:

1. Paleolítico (2.500.000 a 10.000 aC) Este foi o período mais longo, representando cerca de 98% de toda a era pré-histórica, sendo marcado por uma cultura de caçadores-coletores nômades.

Este grande período pode ser subdividido em três fases que, por sua vez, testemunham o desenvolvimento de culturas distintas:.

a) Paleolítico Inferior (2.500.000 – 200.000 aC)

  • Cultura Olduvaiense (2.500.000 – 1.500.000 aC)
  • Cultura Acheulense/Acheuliana (1.650.000 – 100.000 aC)
  • Cultura Clactoniense (c.400.000 – 300.000 aC)

b) Paleolítico Médio (200.000 – 40.000 AEC)

  • Cultura Mousteriense/Mousteriana (300.000 – 30.000 aC)
  • Cultura Levalloiense (dominante c.100.000 – 30.000 aC)

c) Paleolítico Superior (40.000 – 10.000 aC)

  • Cultura aurignaciana (40.000 – 26.000 aC)
  • Cultura perigordiana (chatelperroniana) (35.000-27.000 aC)
  • Cultura gravetiana (26.000 – 20.000 aC)
  • Cultura solutreana (19.000 – 15.000 aC)
  • Cultura madaleniana (16.000 – 8.000 aC)

2. Mesolítico

Nesta fase, se desenvolveram formas mais avançadas de coleta, caça e pesca, assim como uma produção rudimentar de alimentos. Foi uma época de transição entre a Era do Gelo do Paleolítico Superior e a cultura agrícola estabelecida com o desaparecimento do gelo, que ocorreu em diferentes momentos no mundo. Onde o gelo permaneceu, a era mesolítica durou mais tempo,  como na Europa:

  • c. 10.000 – 4.000 aC: Europa do Norte e Ocidental
  • c.10.000 – 7.000 aC: sudeste da Europa
  • c.10.000 – 8.000 aC: Oriente Médio e resto da Europa e mundo

3. Neolítico

Grandes transformações aconteceram neste período em virtude do desenvolvimento do pastoreio e do cultivo  de sementes, levando ao assentamento permanente de grupos humanos, à formação de vilas e cidades, à divisão de funções, ao aparecimento do comércio e à formação de Estados. Deu-se o surgimento de importantes civilizações antigas como a suméria  e a egípcia. 

  • c.4.000 – 2.000 aC: Europa do Norte e Ocidental
  • c.7.000 – 2.000 aC: Sudeste da Europa
  • c.8.000 – 2.000 aC: Oriente Médio e resto do mundo

TIPOS DE ARTE

São quatro os tipos de arte identificados da Idade da Pedra: os petróglifos, os pictogramas, as esculturas e a arte megalítica.

1. Petróglifos

O termo “petróglifo” é derivado da palavra grega pétra, que significa pedra, e do sufixo grego glúphó, que quer dizer esculpir, gravar. É usado para descrever qualquer imagem criada em uma superfície de rocha, arranhando, gravando, cinzelando, esculpindo, perfurando ou qualquer método semelhante que remova parte da superfície da rocha.  As marcações podem ser pintadas ou aprimoradas através do polimento.

São tipos de petróglifos:

a) Cúpulas

O termo cúpula foi cunhado em 1993 pelo famoso arqueólogo Robert G. Bednarik para descrever depressões hemisféricas realizadas por meio de golpes humanos em superfícies rochosas planas, inclinadas ou verticais. Neste caso, a rocha geralmente mostra sinais microscópicos de percussão, tais como partículas de material triturado, contusões e sinais de marcas de ferramentas. Elas são o tipo mais comum de petróglifo no mundo e foram encontradas em todos os continentes, com exceção da Antártida.  Normalmente foram criadas em grupos, às vezes somando muitas centenas. Seu significado estético e cultural é desconhecido pelos paleo-antropólogos, arqueólogos ou historiadores da arte. O que se sabe é que era um tipo universal de arte pública e que frequentemente envolvia um esforço físico maciço, especialmente quando era praticado sobre a rocha dura.

Cúpulas nos abrigos rochosos de Bhimbetka (290.000-700.000 aC), região de Madhya Pradesh, Índia central. Fonte: Wikimedia, por Dinesh Valke de Thane.

b) Gravuras em pedra

São desenhos feitos com algum tipo de ferramenta afiada que deixam sulcos em uma parede rochosa, no chão ou no teto de uma caverna. As gravuras são onipresentes na arte pré-histórica, tendo sido encontradas em todo o mundo, com maior densidade em partes da África Saariana, África do Sul, Escandinávia, Sibéria e Austrália.

Painel com três bisões e um cavalo. Grotte de Cussac, vale do rio Dordogne em Le Buisson-de-Cadouin, Dordogne, Aquitaine, França (c.25.000 a.C.).
Fonte: Archaeology Magazine Archive, por Centre National de Préhistoire, Ministère de la Culture, França.

c) Esculturas em relevo

São esculturas criadas em parte de uma superfície rochosa e que não podem ser movidas, distinguindo-se das estatuetas pré-históricas, que são portáteis.

Salmão. Abri du Poisson, Gorge d’Enfer, Les Eyzies-de-Tayac, Dordonha, França (c. 23.000 a. C.) Fonte: Musée National de Préhistoire

2. Pictogramas

São imagens, ideogramas ou símbolos pintados ou desenhados em rochas, que podem ser monocromáticos ou policromáticos. São  criados mediante a aplicação de pigmentos, como carbono, manganês e vários óxidos, sem remover material da própria rocha, o que caracteriza os petróglifos.

Auroques, cavalos e veados. Caverna de Lascaux, prox. a Montignac, Dordonha, França (c. 15.000-17.000 aC)
Fonte: Wikimedia, por Prof. Saxx.

3. Esculturas

Incluem pequenas estatuetas totêmicas conhecidas como Estatuetas de Vênus, várias formas de escultura zoomórficas e teriantrópicas (que combinam partes animais e humanas); foram encontradas esculturas talhadas em pedra, marfim, osso e madeira.

Homem-leão de Hohlenstein Stadel (38.000 a.C.), localizada no Jura da Suábia, sudoeste da Alemanha. Encontra-se no Ulmer Museum, Ulm, Alemanha.
Fonte: Wikimedia, por JDuckeck.

4. Arte megalítica

São trabalhos resultantes do arranjo de grandes blocos de pedras, também chamados de petroformas.

Círculo de pedra de Stonehenge (c.3100-1100 AC), Planície de Salisbury, Wiltshire, Inglaterra.
Fonte: FreeImages, por Lachlan Smith

O tipo mais antigo de arte são as cúpulas, que foram seguidas por gravuras rupestres e depois pelos pictogramas. Mais tarde se desenvolveram a escultura, a pintura rupestre e a escultura em relevo. Por fim, surgiram a cerâmica e a arquitetura, já no período Neolítico, quando dominaram a arte portátil e a arquitetura monumental.

Estas modalidades artísticas podem, ainda, ser agrupadas em duas grandes categorias: a arte móvel e a arte rupestre.

As obras portáteis, como as estatuetas de Vênus e outras esculturas, são classificadas como arte móvel.

A arte rupestre denomina as representações artísticas pré-históricas realizadas em paredes, tetos e outras superfícies de cavernas e abrigos rochosos ou sobre superfícies rochosas ao ar livre,  abrangendo também a arte megalítica. As obras de arte aplicadas às paredes de uma gruta ou caverna também são chamadas de arte parietal.